O Prémio Franz Kafka 2010 foi concedido onte, 8 de junho, ao dramaturgo Václav Havel, ex-presidente da República Checa, "polo seu contributo à literatura checa e mundial".

O Júri desta décima ediçom do prémio estivo composto por John Calder, Peter Demetz, Marianne Gruber, Oldrich Kral, Kurt Krolop, Marcel Reich-Ranicki, Jiri Stransky e Hans Dieter Zimmermann.

Este prestigioso prémio foi criado em 2001 pola Sociedade Franz Kafka de Praga, que o organiza anualmente em colaboraçom coa Cámara Municipal da capital checa, para distinguir autores polo carácter humanista da sua obra, o seu contributo á toleráncia cultural, nacional, lingüística e religiosa, o seu carácter existencial intemporal, a sua validez humana geral e a sua capacidade para constituir um testemunho do nosso tempo.


A entrega do galardom costuma realizar-se o 27 de outubro, véspera do Dia da Independência Checa. 

Eis a lista dos autores distinguidos co Prémio Franz Kafka:

2001: Philip Roth (EUA)
2002: Ivan Klíma (República Checa)
2003: Péter Nádas (Hungria)
2004: Elfriede Jelinek (Áustria)
2005: Harold Pinter (Gram-Bretanha)
2006: Haruki Murakami (Japom)
2007: Yves Bonnefoy (França)
2008: Arnošt Lustig (República Checa)
2009: Peter Handke (Áustria)
2010: Václav Havel (República Checa)

Como se comprova, embora o carácter internacional do prémio, destacam autores checos e da Europa oriental.

E hoje mesmo o Prémio Príncipe de Astúrias das Letras 2010 foi outorgado ao autor libanês de expressom francesa Amin Maalouf, "que desde a ficçom histórica e a reflexom teórica tem conseguido abordar com lucidez a complexidade da condiçom humana". O júri destacou também que "face à desesperança, a resignaçom e o vitimismo, a sua obra desenha umha linha própria cara à toleráncia e a reconciliaçom, umha ponte fundada nas raízes dos povos e as culturas".

Amin Maalouf tem traduzidos na Galiza A deleiba do mundo e A Viaxe de Baldassare pola editora Xerais e em Portugal a maior parte da sua obra sob a chancela da Difel (incluindo o romance O Rochedo de Tanios, ganhador do Prémio Goncourt em 1993, e publicado no Brasil pola Companhia das Letras).

Nesta trigéssima ediçom do Prémio Príncipe de Astúrias das Letras concorrêrom 27 candidaturas e ficárom finalistas, junto ao autor libanês, a autora catalã de expressom castelhana Ana María Matute, e o poeta chileno Nicanor Parra. Este é o décimo ano consecutivo em que este prémio distingue um autor fora do ámbito hispano. O último autor galardoado de língua castelhana foi Augusto Monterroso em 2000. Mas antes, só numha ocasiom se afastara desse ámbito lingüístico, quando distinguiu o alemám Gunter Grass, em 1999.

O Júri do Prémio Príncipe de Astúrias 2010 na categoria das Letras estivo presidido por Víctor Garcia de la Concha, director da Real Academia Espanhola, e integrado por  Andrés Amorós Guardiola, Luis María Anson Oliart, J. J. Armas Marcelo, Blanca Berasátegui Garaizábal, Carmen Caffarel Serra, Pedro Casals Aldama, Antonio Colinas Lobato, Milagros del Corral Beltrán, Jacobo Fitz-James Stuart y Martínez de Irujo, José Luis García Martín, Pilar García Mouton, Olvido García Valdés, Manuel Llorente Manchado, Rosa Navarro Durán, Berta Piñán Suárez, Fernando Rodríguez Lafuente, Fernando Sánchez Dragó, Diana Sorensen e Román Suárez Blanco (secretário).

A Universidade do Porto tem disponível no seu web a tese de mestrado Amin Maalouf : a literatura como mediação entre Oriente e Ocidente, apresentada por Maria José Carneiro Dias em 2009.

Na quarta-feira passada, 2 de junho, a Academia Brasileira das Letras concedeu o Prémio Machado de Assis 2010 ao crítico, professor e ensaísta Benedito Nunes, ao tempo que deu a conhecer os vencedores da ediçom deste ano dos seus prémios nas categorias de ficçom, literatura infanto-juvenil, traduçom e poesia.

Eis a informaçom sobre os ganhadores, a citaçom de cada ditame destacada pola ABL e a composiçom do júri de cada categoria:


Prémios ABL 2010
Premiado
Júri
Machado de Assis 2010
Benedito Nunes
Eduardo Bortella (Presidente),
Alfredo Bossi (Relator),
Lygia Fagundes Teles,
Tarcisio Padilha,
Domicio Proença Filho.
Ficçom
(conto, romance, teatro) 


Outra vida
de Rodrigo Lacerda

«uma obra que se lê com prazer na sua economia de meios, na sua própria brevidade»

Ana Maria Machado,
João Ubaldo Ribeiro,
Luís Paulo Horta.
Literatura Infanto-Juvenil


Marginal à esquerda
de Ângela-Lago

«é um livro impactante, singelo e instigante, que muito merece o prêmio de literatura infantil»

 Arnaldo Niskier,
Murilo Melo Filho,
Cícero Sandroni.
Traduçom


 Pequenas traduções de grandes poetas
de Milton Lins.

«constituem preciosas antologias da melhor poesia que se escreveu na literatura ocidental desde o século XVI»

 Carlos Nejar,
Ivan Junqueira,
Evanildo Bechara.
Poesia


A máquina das mãos,
de Ronaldo Costa Fernandes


«livro em que a experiência pessoal do poeta, convertida em linguagem, se transmuda em poemas de excelente nível, e nos quais se casam a emoção e a execução apurada, sob a regência de um rigor que não exclui a aventura e a transgressão»

Lêdo Ivo,
Affonso Arinos de Mello Franco,
Alberto da Costa e Silva.

Marcel Reich-Ranicki fizo onte 90 anos e vários jornais e blogues dérom informaçom sobre este crítico literário, um dos mais conhecidos da Alemanha. Veja-se, por exemplo, a notícia do portal Deutsche Welle.

Ganhador do Prémio Goethe 2002, e conhecido como "o papa da literatura", Reich-Ranicki tornou-se popular na Alemanha polas suas intervenções no programa Literarisches Quartett (Quarteto Literário), do canal televisivo ZDF, no qual el e outros três críticos (o quarteto) debatiam a respeito de um livro. Este pograma foi emitido entre 1988 e 2001 e nel fôrom debatidos cerca de 400 livros. Posteriormente conduziu em solitário o programa, também sobre literatura, Solo. A sua fama é devida à forma mordaz e colérica de expor as suas críticas negativas e às suas polémicas com escritores como Günter Grass ou Martin Walser.

Em 2002 iniciou a selecçom e coordenaçom da ediçom dumha proposta de cánone da literatura alemã.

Em 2008 foi-lhe concedido o Prémio da TV Alemã pola sua trajectoria mas recusou-no na cerimónia de entrega, transmitida em directo, criticando a degradaçom da programaçom televisiva.


Esta mesma tarde foi anunciada em Lisboa a concessom do Prémio Camões 2010 ao poeta brasileiro Ferreira Gullar, pseudónimo de José Ribamar Ferreira, nascido o 30 de setembro de 1930 em São Luís, capital do Maranhão.

Na cerimónia do anúncio do vencedor, a ministra portuguesa de Cultura, Gabriela Canavilhas, destacou a "actividade cívica e política" desenvolvida polo escritor contra a ditadura militar.

O júri desta vigéssima segunda ediçom do prémio, composto por Helena Buescu (professora catedrática da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa), José Carlos Seabra Pereira (professor associado da Universidade de Coimbra), Inocência Mata (escritora santomense e professora da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa), Luís Carlos Patraquim (escritor e jornalista moçambicano), António Carlos Secchin (escritor e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro) e a escritora brasileira Edla van Steen, elegeu Ferreira Gullar por maioria e destacou a "nota pessoal de lirismo" e os "valores universais" da sua obra.

Sete Palabras, a última obra de Suso de Toro, foi distinguida no passado 29 de Maio co "Prémio da Crítica Galicia" na modalidade de criaçom literária, que concede a Fundación Premios da Crítica Galicia.


Segundo informam Vieiros e A Nosa Terra, um júri presidido por Alfredo Conde, e do que também formou parte Luís González Tosar, valorizou

que é unha obra na que se recolle a súa evolución como escritor, respondendo ás esencias galegas sen renunciar á universalidade; polo tratamento de temas fundamentais, como a memoria, o autocoñecemento e a referencia ao pasado como fórmula para entender o presente e proxectar o futuro

Igualmente salientou
a subversión dos xéneros tradicionais e a experimentación formal, cun resultado orixinal que nos sitúa ante un autor de referencia no noso sistema literario

O autor compostelano está sendo protagonista também dumha polémica derivada do anúncio, que el mesmo realizou no seu blogue no passado 22 de Abril, de que deixava de dedicar-se de maneira profissional à literatura para reincorporar-se à docência. Desde entom forneceu diversas explicações. A polémica continuou recentemente ao responder, também desde o seu blogue em duas entradas recentes (A envexa é verde e Boa noticia: "marcha un ofuscado"), algumhas das intervenções realizadas no programa da TVG "Foro Aberto" emitido no passado Dia das Letras, e no qual foi objecto de debate a profissionalizaçom da literatura galega a partir da notícia da retirada de Suso de Toro e da sua experiência profissional, qualificada como "operações de marketing" por parte de vários intervenientes no programa, nomeadamente Xosé Carlos Caneiro, quem mesmo considerou positiva a notícia. 

A verdade é que tanto no debate televisivo como em posteriores valorizações, como a brevemente realizada por Dolores Vilavedra no interessante artigo De autores e editores nom parecem ter a devida atençom alguns dos argumentos empregados por De Toro numha reflexom que incorpora aspectos relativos à exposiçom pública do escritor professional, às transformações da figura do escritor na era da Internet e à minorizaçom ou marginaçom da literatura galega no contexto estatal. Vejam-se os seus artigos Que va a ser del escritor e 'Mutis' explicado.

O Prémio Man Booker perdido (Lost Man Booker Prize), correspondente a 1970, foi anunciado onte com 40 anos de atraso, e recaiu na obra Troubles, de J. G. Farrell (1935-1979).

Em 1971 o Man Booker Prize mudou a suas regras para premiar um romance do mesmo ano, e nom do ano anterior como acontecera nas duas edições prévias. A obra ganhadora era anunciada em Abril e com esta mudança passou a sê-lo em Novembro. Como a ediçom de 1970 premiara um livro de 1969 (The Elected Member, de Bernice Rubens) e a de 1971 premiou In a Free State de V. S. Naipul, publicado nesse mesmo ano, os livros editados em 1970 ficaram fora de consideraçom.

Foi o agente literário e arquivista honorário do Booker, Peter Strauss, quem reparou nesta circunstáncia e convenceu à fundaçom que gere o prémio a reparar, 40 anos depois, esta injustiça com a colheita de romances de 1970.

J. G. Farrell torna-se assi o terceiro (ou o primeiro, segundo como se veja) autor a receber dous prémios Booker, pois já vencera na ediçom de 1973 com The Siege of Kishnapur, romance também finalista na eleiçom do melhor prémio Booker (The Best of Booker) realizada em 2008 com motivo do quadragéssimo aniversário do galardom. Os outros duplos ganhadores do Booker som J. M. Coetzee (distinguido em 1983 com Life & Times of Michael K e em 1999 com Disgrace) e Peter Carey (vencedor em 1988 com Oscar and Lucinda e em 2001 com True History of the Kelly Gang).

Nom localizamos nengumha traduçom galego-portuguesa da obra ganhadora do Booker perdido.

As críticas literárias (bem como as cinematográficas e musicais) publicadas no suplemento Actual do semanário português Expresso costumam ver a luz na internet no web do semanário desde Janeiro de 2009 na secçom Escolhas Expresso (que conta com feed próprio). Contodo, a periodicidade da publicaçom é mui irregular. Nestas últimas semanas, as críticas posteriores ao Actual de 17 a 23 de Abril nom fôrom publicadas, tal como acontecera já em várias semanas consecutivas de Outubro e Novembro do ano passado.

Em contraste, o suplemento Ípsilon do jornal Público inclui regularmente as novas recensões publicadas na secçom de crítica literária do seu portal web, secçom que nom tem feed próprio mas da qual elaboramos este.

Para manter-nos informados das críticas do Actual que nom som disponibilizadas na internet vale conferir o blogue dum dos seus críticos literários, o Bibliotecário de Babel, de José Mário Silva, que geralmente nas sextas-feiras informa das críticas que publicará o Actual no dia seguinte e posteriormente publica a sua (sendo as das últimas semanas omitidas as de O Apogeu de Miss Jean Brodie de Muriel Sparks e Point Omega de Don Delillo).

Desde aqui pedimos, portanto, umha maior pontualidade e regularidade ao portal Expresso na actualizaçom da sua secçom Escolhas Expresso.

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